In the night, the stormy night @ Halloween Party
Como eu tinha imaginado, ele realmente estava confuso. Umedeci os lábios e tomei coragem mais uma vez para falar, o que foi intensificada com a mensagem que recebi no celular. Sorri para o visor e voltei a olhar para o Artie. - Entendo perfeitamente que o magoei muito. Muito mesmo. - Me aproximo dele e seguro suas mãos. - Não vou mentir, nem te enrolar dizendo que não sentir nada pelo Mike, pois eu sentir. - Soltei uma das mãos deixando só a outra apertando as suas. Levei a que eu retirei até meu peito. - Ele era o tipo de garoto que me impressionava, sempre. Garoto asiático que joga futebol na minha escola, que participa do mesmo grupo asiático que eu. Nunca tive uma oportunidade de falar com ele. Então vem o Glee Club, onde acabamos todos, traçando um laço, um vínculo mais forte. Passamos a conversar mais, a nos tornamos amigos. Ele trocava cumprimentos comigo no grupo asiático e tudo. - Dei uma pausa, respirando para poder continuar. - Nesse mesmo tempo, eu e você nos aproximamos e nos tornamos namorados. - Não pude evitar de sorrir e de passar lembranças calorosas em minha mente. - Eu e você estávamos indo muito bem, até as férias chegar… - Apertei mais anda suas mãos. - Ouve esse desentendimento em que, convenhamos, um não estava dando atenção suficiente para o outro. - Fechei os olhos, estava chegando na pior parte, e não sabia se ia consegui me conter e me desesperar ali, agora, naquele instante. Respirei fundo. Lembrei do Sam e suas palavras. Eu precisava me livrar disso tudo. Ele estava certo. Confiar… - … Eu e o Mike ficamos, em um programa asiático. Naquele momento, parecia ser tudo o certo para mim. Eu e ele. A dança. O beijo. Não fazia ideia desse carinho que tinha por ele. Nossos pais, com total aprovação. - Mordi os lábios e continuei. - Terminei com você. Usando a desculpa mais sensata que acreditei na época. Mas no fundo Artie, eu sabia que não era só isso. Pensei que assim fosse mais fácil para você. Que não ia te machucar. - Não estava mais tendo forças. Comecei a chorar, minhas bochechas já coradas e molhadas. - Eu queria te pedir perdão. Mas não posso. Não é certo. Mas uma coisa é, Arthur. Eu amo você. Sempre amei. E parece que eu não soube valorizar isso. Não soube compreender até o momento em que me encontrei em uma confusão emocional. No fim, eu sou fraca. - Terminei de falar e continuei chorando. Eu tinha conseguido. Eu tinha falado tudo, botado tudo para fora, como devia ser. Reunir forças não sei de onde e mesmo nesse estado, continuei a apertar suas mãos e o encarei. Tentando desvendar o que aqueles olhos azuis escondiam.
Realmente tentei desvendar tudo que ela me dizia. Parecia um filme de cinema de tudo que eu tinha passado na minha vida. As noites que eu chorei. As poesias que eu escrevia e rasgava ao mesmo tempo. O momento que eu pensei até jogar meu video-game fora por conta do motivo que fez a gente terminar, que eu também não entendi direito. Tudo isso foi passando por mim enquanto ela falava. Realmente até que ponto isso estava no meu coração. Sei que doía bastante porque, pela primeira vez, estava sentindo tudo isso de uma vez.
Quando Tina estava me falando tudo isso, eu passava por uma mistura de sentimentos. Não sabia o que dizer e como deveria agir. Meu coração estava pulando a mil por hora e eu estava a ponto de ter um colapso. Quando ela terminou de falar dizendo que me amava e me encarava, eu não sabia tirar vozes para isso. Comecei a chorar de verdade. Acho que foi a primeira vez que Tina tinha me visto chorar. Parece que foi uma sensação de poder tirar todo aquele sentimento ruim para fora, estava em pânico e sem poder falar. Tirei meus óculos e tentei enxugar meu rosto com a capa da minha fantasia. Tina chorava junto comigo mas não largava as minhas mãos.
Por que você me deixou só esse tempo todo? Eu te amo tanto… - Falei em prantos e a abracei chorando. Abracei como se fosse que eu não quissesse mais largar. Não a queria mais longe de mim. Nunca mais. Não queria me sentir só como eu me sentir anos e anos da minha vida. Essa foi a única reação que eu podia ter.

